blog da ana 12ºB

Blog para apresentação dos trabalhos de História

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segunda-feira, dezembro 05, 2005

Giorgio De Chirico


Mistério e Melancolia de uma Rua, 1914
Óleo sobre tela
87x71,5cm
Colecção particular

«Para que uma obra de arte seja verdadeiramente imortal, tem de sair por completo dos limites do humano, pois a inteligência normal e a lógica prejudicam-na. E assim se aproximará do sonho e da compreensão do espírito infantil. O artista irá buscar a obra profunda às mais recônditas profundezas do seu ser.
Todas as coisas têm dois aspectos: o habitual, que quase sempre vemos e que toda a gente vê, e o espiritual, metafísico, que só raros indivíduos são capazes de ver em momentos de clarividência e abstracção metafísica. Uma obra de arte deve conter algo que não aparece na sua forma exterior. Os objectos e figuras representados nela, como que poeticamente, devem falar-nos de algo que está muito longe deles e que as suas formas materiais escondem também de nós…… através da pintura nós construímos uma nova psicologia metafísica das coisas.»
Giorgio De Chirico

segunda-feira, novembro 28, 2005

O Surrealismo

Canto de Amor, 1914
Óleo sobre tela
73x59,1cm
Museu de Arte Moderna, Nova Iorque

«O mais simples acto surrealista consiste em ir para a rua com pistolas em punho e disparar ao acaso para a multidão o mais possível. Qualquer pessoa que nunca tenha tido o desejo de lidar desta forma com o ignóbil princípio actual da humilhação e estultificação pertence obviamente a essa multidão com a barriga à altura das balas.»
André Breton

Biografia de Giorgio De Chirico


Nasceu a 10 de Julho de 1888, em Vólos, na região grega de Tessália no seio de uma família culta: a sua mãe, uma nobre genovesa; o pai, um engenheiro ferroviário de origem siciliana; e o irmão mais novo Andrea que mais tarde irá adoptar o pseudónimo de Alberto Savinio, também ele, um pintor famoso.
Entre 1903 e 1906 frequenta um curso de desenho no Politécnico de Belas Artes de Atenas, mas devido à morte do pai não acaba o curso. Muda-se com a mãe e o irmão para Munique, centro cultural europeu, onde recebe as influências de Arnold BÖcklin e lê muitas obras de filósofos alemães, como Schopenhauer e Nietzche.
Conhece os grandes artistas da época: Picasso, Detail, Brancusi, Braque e Léger.
Em 1914 é convocado para combater na I Guerra Mundial, no 27º regimento de infantaria, em Ferrara (cidade que vai ser uma influência na sua obra), mas devido a problemas de saúde, este presta serviço como auxiliar podendo, assim continuar a pintar.
Em 1916 conhece Carlo Carrà (que vai ser também uma influência no mundo poético de De Chirico) no Hospital Militar e com este, forma um grupo de tertúlias artísticas, ao qual se juntam Savinio (o Andrea, irmão de Chirico) e Alberto de Pisis, mais tarde este grupo de artistas vai ser conhecido como Escola Metafísica.
Em 1935-36 viaja para os Estados Unidos, onde a sua obra é aplaudida pelo público e pela crítica.
Para alem de pintor e de mentor da pintura metafísica, este foi também um grande poeta e viajou por quase todo o mundo. Exibiu as suas obras não só na Europa mas também em países como os Estados Unidos, Canada e Japão.
De Chirico morre no dia 20 de Novembro de 1978, em Roma, a sua residência durante quase trinta anos.

A Obra de Giorgio De Chirico

Figura 1
Centauro Moribundo, 1909
Óleo sobre tela
117x73cm
Colecção Assitalia, Roma

Figura2
A Grande Torre, 1913
Óleo sobre tela
115,5x45cm
Kunsthaus, Zurique

Figura3
Heitor e Andrómaca, 1946
Óleo sobre tela
82x60cm
Colecção particular, Roma

Com a sua pintura, Giorgio De Chirico antecipou o triunfo da estética surrealista, proposta por André Breton*, em 1924. O enigma da sua transformação pictórica radical acrescenta mais uma interrogação ao estranho mundo das suas visões. Este pretende relevar aquilo que as coisas ocultam olhando para elas uma primeira vez.
Segundo De Chirico devia-se “libertar a pintura de uma vez por todas do antropomorfismo”, despir toda a arte do que tem de comum e de aceite pela generalidade.
De Chirico nunca pintou sonhos e nunca pretendeu exprimir exactamente o mundo do irreal, por isso as suas imagens eram mais herméticas do que as dos surrealistas, este tirava-lhes toda a carga significativa. Este desapego às imagens converte-as em presságios e quebra a relação de sentido entre as coisas.
Nos seus quadros de cidades desertas e congeladas, povoadas de misteriosas arcadas em perspectiva, sombras estendidas, manequins, torres e lareiras tudo parece transfigurado e vagamente ameaçador, como se os objectos e lugares se tivessem desprendido do seu contexto para adquirir uma vida espectral e insólita.
Em 1905, quando chega a Munique recebe a influência do simbolismo centro-europeu e especialmente de Arnold BÖcklin**, o que podemos verificar nas suas primeiras obras (Figura 1). Dedica-se à leitura de filósofos alemães como Schopenhauer e Nietzsche, ao contrário de todos os outros artistas modernos, isto deve-se à sua tradição poética com influências ainda românticas.
A sua passagem por Turim, em 1911 marca profundamente a sua obra, devido a fascinação pelas praças e arcadas solenes.
Por esta altura, em Paris expôs no Salão de Outono e no Salão dos Independentes.
Em 1913, De Chirico cria a Pintura Metafísica, que se caracteriza por imagens misteriosas e ilógicas, sugestões de alucinações normalmente realizadas através de um uso típico da luz e da perspectiva, ícones como estátuas substituindo homens e a justaposição das figuras. Nesta altura, pinta os Enigmas (Figura 3) e as Torres (Figura 4), nos quais a cenografia é inquietante e congelada, características da pintura metafísica. Foi Apollinaire***, quem qualificou primeiro estas pinturas de metafísicas. Estas pinturas popularizaram-se na Itália, sendo consideradas objecto de culto pelo grupo surrealista de Breton.
Em 1914 é chamado para combater na I Guerra Mundial, na cidade de Ferrara, mas acaba por ficar como auxiliar no Hospital Militar, onde conhece alguns pintores futuristas italianos – Carlos Carrà**** (que o influencia na poesia), Soffici e Papini, com os quais organiza um grupo de tertúlias artísticas – A Escola Metafísica. Tanto a cidade de Ferrara como os artistas futuristas influenciaram a sua obra: os característicos cenários urbanos povoam-se de sombras, manequins e elementos de origem clássica (Figura 5).
Em 1918 regressa a Roma, e a partir daí a sua vida reparte-se entre Roma, Florença e Milão; é um dos líderes do Grupo Valori Plastici, realiza várias exposições e participa nas Bienais de Roma e Veneza.
A sua obra metafísica converte-se num dos faróis que iluminaram a gestação do surrealismo no Paris dos anos vinte.
A partir de 1920 aborda o auto-retrato em várias épocas da história e considera-se uma pessoa e várias ao mesmo tempo (tal como os heterónimos de Fernando Pessoa).
Em 1924 muda-se para Paris, onde mantêm uma relação próxima com André Breton e Louis Aragon. Nesta altura participa na primeira exposição surrealista, mas como os seus ideais eram diferentes do grupo surrealista, esta relação acaba e Breton acusa De Chirico de “substituir a inspiração dos sonhos pela respiração artificial da pintura”, por sua vez, De Chirico classifica os surrealistas como “gente cretina e hostil”.
A partir desta altura torna-se pintor independente, combina as incursões no universo da pintura metafísica reproduzindo por vezes quadros anteriores.
Em 1929 fez cenários para o ballet e para a ópera, ilustrou livros de poetas surrealistas como Jean Cocteau e Paul Éluard e publicou o seu romance “Hebdomeros”.
Na década de 30 viaja para os Estados Unidos, onde passa dezoito meses e expõe as suas obras. Regressa à Europa e vive durante algum tempo em Milão.
A partir de 1944 instala-se definitivamente em Roma e adopta um estilo decididamente académico baseado em temas mitológicos e clássicos. De Chirico pinta independentemente das correntes contemporâneas que o inspiraram.
Em 1945, a primeira parte do seu livro “Memórias da minha vida” aparece.
A sua familiaridade com as ruínas clássicas na infância tem algum peso notável na configuração do seu universo pictórico, como também a precoce ausência do pai, morto.
Muitos críticos acreditam que o desapego e angústia dos seus espaços pictóricos estejam relacionados com a aceitação da falta da figura paterna.


*André Breton: poeta francês e médico de profissão. Em 1916 juntou-se ao grupo dadaísta, mas após várias discussões decidiu deixar tudo e abriu portas ao surrealismo juntamente com outros artistas, entre eles, Paul Eluard e Salvador Dali. Tornou-se, assim crítico, editor e fundador de um dos principais movimentos artísticos do século XX, o surrealismo
Em 1924 publicou o “Manifeste du Surréalisme” influenciado pelas teorias psicológicas de Freud. Este era membro do partido comunista francês, e pretendeu fazer do movimento uma arma política revolucionária ao serviço do internacionalismo operário. Em 1959 realizou o seu último trabalho poético, “A Constelação”, uma série de poemas conjugados com os guaches de Joan Miró. Breton morreu a 28 de Setembro de 1966, em Paris. A sua filha, em 2003 decidiu pôr os seus livros, desenhos, pinturas, esculturas, e outros artigos no mercado depois do governo francês se ter recusado a comprar as colecções pessoais do artista.

** Arnold BÖcklin: pintor suíço que se baseia em criaturas mitológicas para realizar os seus quadros – retrata figuras fantásticas com base em velhas lendas Germânicas – adquire assim um carácter de sonho, surrealista.

*** Guillaum Apollinaire: poeta francês, que funda várias revistas, em Paris e exerce a critica de arte participando activamente nas polémicas artísticas do seu tempo. Este apoiava os vários movimentos artísticos.

**** Carlo Carrà: pintor italiano, nascido no seio de uma família de artesãos. Frequenta a Academia de Belas Artes de Brera e juntamente com outros colegas elabora um grupo que será considerado o marco de uma nova expressão das artes plásticas:”Pintura Futurista”. Mas este em 1914 acaba por se afastar do Futurismo e ao conhecer De Chirico fica entusiasmado com as possibilidades da pintura metafísica.

Análise da obra "As Musas Inquietantes"

As Musas Inquietantes, 1925
Óleo sobre tela
97x67cm
Galeria Nacional de Arte Moderna, Roma



Nesta obra podemos observar três figuras, as duas em primeiro plano são manequins, uma está de pé e a outra está sentada; a terceira que está mais atrás e é uma estátua e ao fundo podemos observar um castelo e algumas fábricas.
Quanto às tonalidades utilizadas no quadro podemos observar um contraste entre o vermelho-ferrugem do palácio e o verde do céu; e entre o preto e a cor mais clara das figuras.
As figuras, estáticas não possuem identidade e têm o único objectivo de transmitir um determinado estado de espírito. Estas estão colocadas, entre vários suportes, uma máscara vermelha e um bastão que simbolizam os atributos das musas da tragédia e da comédia.
Quanto à estátua, em terceiro plano, representa Apolo, o líder das musas. Este tal como as musas está sem vida, estático.
O palácio que observamos em último plano está isolado, ao lado por edifícios industriais e pelas chaminés dos mesmos. A cor deste, vermelho-ferrugem contrasta com o tom esverdeado do céu.
Este procedimento de misturar as imagens metafísicas com elementos clássicos, aumenta a complexidade da linguagem dos quadros.
E o desapego e angústia dos espaços pictóricos, nos seus quadros transmitem-nos alguma inquietação, o insólito. Esta característica, segundo alguns críticos deve-se à falta da figura paterna.

Análise da obra "O Enigma de um Dia"


O Enigma de um Dia, 1914
Óleo sobre tela
83x130cm
Doação Francisco Matarazzo Sobrinho

Nesta obra podemos observar uma rua vazia com uma estátua ao meio, a sombra dessa mesma estátua e de um edifício ao lado e ao fundo, duas torres. Quanto às tonalidades utilizadas no quadro, podemos verificar uma grande presença do amarelo e do verde existindo um género de contraste entre ambos, e depois o preto da estátua e das sombras.
A tela obedece a uma construção mais clássica, ou seja, o homem, a estátua ocupa o centro do campo visual, existe uma relação de simetrias tanto na vertical como na horizontal.
Esta paisagem é constituída pelos símbolos criados por De Chirico, que compõem uma dimensão metafísica, onde o homem que a habita tem diante de si um vazio e uma incógnita. A luminosidade das superfícies: primeiro o amarelo no plano inferior e o azul no plano superior que contrastam com o fumo branco da linha do horizonte criam uma atmosfera mais rara na pintura metafísica.

Bibliografia

Calado, Maria; Santinho, Manuela – História da Arte – A Arte Fala 12; Areal Editores; Porto; 1995

Leoroy-KlingsÖhr, Cathrin – Surrealismo – Taschen Público; Alemanha; 2005;

www.artchive.com/artchive/D/de_chiricobino.htm

www.artcyclopedia.com/artists/de_chirico_giorgio.html

www.artcyclopedia.com/history/surrealism.html

www.fondazionedechirico.it

www.guggenheimcollection.org/site/artist_bio_35.html

www.guggenheimcollection.org/site/artist_works_35_o.html

www.vidaslusófonas.pt/giorgio_de_chirico.htm

quarta-feira, novembro 23, 2005

Biografia de Wassily Kandinsky


Nasceu em Moscovo, no dia 4 de Dezembro de 1866 no seio de uma família de classe média. Inicia as suas aulas de pintura com 8 anos e aos 20 frequenta a Universidade de Moscovo, onde estuda Direito e Economia. Anos mais tarde muda-se para Munique e dedica-se à pintura.
Ao longo da sua carreira de pintor funda várias associações de pintores, como é o caso da “Phalanx”, da ”Nova Associação dos Artistas de Munique”, da “Der Blaue Reiter” (O Cavaleiro Azul) e da “Die Blaue Vier” (Os Quatro Azuis).
Para além de pintor, Kandinsky foi também escritor, músico e ocupou cargos no Estado Soviético.
Em 1914, com o início da Primeira Guerra Mundial volta para a Rússia, onde ocupa cargos de administração artística e cultural no Novo Estado Soviético. Mas devido a alguns desentendimentos com os principais artistas russos, seus rivais abandona o Instituto de Cultura Artística de Moscovo, onde leccionava. Ainda tenta ir em frente com um projecto para a secção fisiopsicológica da Academia das Ciências Artísticas, mas em vão, porque acaba por abandonar a Rússia e estabelece-se em Berlim. Aí é convidado a fazer parte da Bauhaus (que passou por várias cidades: primeiro em Weimar e depois em Dessau e Berlim), onde desde 1922 a 1933 dirige um curso de iniciação e o Atelier de Pintura Decorativa.
Com a ascensão nazi ao poder, este vê-se obrigado a abandonar a Alemanha e parte para o exílio em Neully-sur-Seine, perto de Paris. Passa aí os últimos anos da sua vida, vindo a falecer no dia 13 de Dezembro de 1944, aos 78 anos de idade.

A Obra de Wassily Kandinsky

Figura 1
Igreja em Murnau, 1910
Óleo sobre cartão
64,7x50,2cm
Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique

Figura 2
Interior (A minha Sala de Jantar), 1909
Óleo sobre cartão
50x65cm
Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique

Figura 3
Primeira Aguarela abtracta,1910
lápis, aguarela e tinta-da-china sobre o papel
49,6x64,8cm
Museu Nacional de Arte Moderna
Centro George Pompidou, Paris

Figura 4
Amarelo-vermelho-azul, 1925
Óleo sobre tela
128x201,5 Museu Nacional de Arte Moderna
Centro George Pompidou, Paris

Kandinsky foi o primeiro pintor que prescindiu da representação de objectos e temas da natureza de forma programática. Segundo este, “A renuncia à figuração é um meio necessário para chegar a uma pintura pura”.
A obra deste distancia-se tanto da imitação como da decoração. A distribuição da cor no quadro é conduzida por princípios de harmonia e contraste, como na música, de modo que cada elemento desperte uma oculta vibração no observador.
Entre 1906 e 1908 viaja pela Europa e expõe nos Salões de Outono e dos Independentes em Paris, onde conhece o Fauvismo e o Cubismo.
A influência da cor fauve surge nos quadros que pinta em Murnau, entre 1908 e 1909 (figura 1). Neste ano funda a Nova Associação de Artistas de Munique (NKVM), ao mesmo tempo que se constroem os alicerces para o surgimento da abstracção: interesse pela teosofia e pelas ciências ocultas. Conhece Arnold Schonberg*, criador de música dodecafónica, que o ajuda nas suas ideias sobre a ligação entre a música e a pintura.
Em 1909, também pinta um quadro chamado Interior (a minha sala de jantar) que se insere nas raras obras, onde o artista representa o seu ambiente doméstico, pois para este, as limitações do espaço e a diversidade dos objectos negavam-lhe a liberdade que só encontrava na natureza. Mas por outro lado, Kandinsky era muito reservado no que tocava a sua vida privada, não gostando de expô-la ao público (figura 2).
Um ano mais tarde, em 1910 pinta a primeira aguarela abstracta, composta apenas por manchas coloridas sem qualquer objecto identificável (Figura 3).
Entre 1910 e 1920 a sua pintura caracterizou-se por um romantismo formal de linhas violentas e desordenadas, animadas por grande vivacidade da cor.
Na Composição II de 1910, quadro ainda figurativo (que desapareceu durante a II Guerra Mundial), podemos verificar um redemoinho de formas coloridas ao estilo fauve que comprovam as influências de Kandinsky. Esta deu origem a críticas fervorosas.
À partir dessa altura, Kandinsky começou a dividir os seus quadros em três grupos:”Impressões” – com referência a um modelo naturalista; “Improvisações” – que pretendiam reflectir emoções espontâneas e “Composições” – o grau mais complicado e elevado, alcançado após longos trabalhos preparatórios.
Nos seus quadros, este faz alusão à música, ao dar os títulos de “Improvisação” e “Composição”, pois era através da analogia à música, que este via as cores e as formas “vibrarem” e “ressoarem”.
Nos quatro anos seguintes, mantém o dinamismo anterior e formas mais rigorosas começam a surgir na sua obra.
Kandinsky ensaia o seu caminho definitivo para a abstracção e escreve “Do Espiritual na Arte”, publicado em 1911 onde se podem verificar as suas famosas óperas de cor, que nunca foram representadas em vida do artista.
Nesse ano abandona a NKVM e integra o movimento/grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), que para nós ficou mais conhecido pela sua produção expressionista. Aí partilhavam exposições e a edição de um almanaque.
Em 1914, regressa à Rússia, onde a Revolução de 1917 promove uma das vanguardas artísticas mais activas e singulares do século XX. Este ocupa cargos importantes na administração artística e cultural do novo Estado Soviético, cria na Rússia museus e programas de ensino artístico.
Quatro anos depois volta à Alemanha e faz parte de um claustro da Bauhaus (esta passou por várias cidades: primeiro em Weimar e depois em Dessau e Berlim), onde dirige o Atelier de Pintura Decorativa e o curso de iniciação de 1922 a 1933. Nesta altura junta-se com mais três pintores e funda o Die Blaue Vier** (Os Quatro Azuis) e a sua obra disciplina-se: à cor junta-se a geometria e a interacção das formas (figura4).
Em 1926 publica um novo livro “Ponto e Linha sobre o Plano”, onde as equivalências musicais e emocionais da cor continuam a estar presentes na pintura, mas agora combinadas com a interacção das formas.
Com a ascensão nazi ao poder, as suas obras foram consideradas “arte degenerada” e muitas delas foram confiscadas pelos nazis. Dessas obras, catorze foram postas em exposição pelos nazis, com o objectivo de denegrir a arte moderna, esta exposição teve a presença de mais de dois milhões de visitantes. Com esta situação, Kandinsky viu-se obrigado a abandonar a Alemanha partindo para o exílio em Neully-sur-Seine, perto de Paris, onde dominavam os pintores cubistas e surrealistas e onde ninguém compreendia as suas abstracções. Apesar disso, continuou a pintar.
É nas últimas pinturas que Kandinsky melhor justifica a frase: “A arte moderna só pode nascer onde os sinais se tornam símbolos”, pois a sua linguagem simbólica não aceita mais a separação entre a “sensação” e o símbolo que a exprime. A unidade é atingida e é dessa suprema sabedoria que o seu génio avulta na arte do século XX.


*Arnold SchÖnberg, nasceu em Viena a 13 de Setembro de 1874.Desde 1892 dedicou-se ao estudo da música, vai para Berlim onde as suas composições são consideradas um escândalo. Este é considerado o inventor de um novo sistema musical, o dodecafonismo que rompeu com o sistema musical tradicional.

**Die Blaue Vier (Os Quatro Azuis), grupo artístico fundado, na altura da Bauhaus por Kandinsky, Klee, Feininger e Jawlensky.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Análise do quadro “Composição VIII”

Composição VIII,1923
Óleo sobre tela
140x201cm
The Solomon R. Guggenheim, Nova Iorque

Nesta obra podemos observar várias formas geométricas (círculos, semicírculos, triângulos e quadrados), ângulos rectos e agudos e linhas rectas. Todos estes elementos que constituem o quadro são de tonalidades mais escuras do que o fundo (claro) provocando, assim um contraste de tonalidades.
Há também, contrastes de formas, que provam o balanço dinâmico do trabalho: o largo círculo no canto superior esquerdo joga com as linhas que estão na proporção correcta da tela.
Kandinsky usa cores diferentes dentro das formas dando energia à sua geometria: o circulo amarelo com uma auréola azulo versos o circulo azul com uma auréola amarela; o ângulo recto preenchido de azul e o ângulo agudo preenchido de lilás.
O desenho não parece um exercício geométrico em primeiro plano, este parece tomar lugar num espaço indefinido.
As cores do fundo – o azul claro em baixo, o amarelo claro no topo e o branco no meio – definem a profundidade e realçam o dinamismo da composição.
As formas tendem a recuar e avançar dentro da profundidade, criando a dinâmica da tela. Estas agudizam ou retraem o carácter de cada cor e assinalam direcções e pontos de tenção na superfície do quadro.
Na época em que o quadro é pintado, o círculo aparece como símbolo de perfeição e pelas suas conotações cósmicas. As cores vibrantes dos anos de O Cavaleiro Azul tornam-se agora mais planas e lisas. A economia e o rigor do reportório formal apuram-se ao máximo.
Pintada em 1923, a Composição VIII reflecte a influência do Suprematismo (pintura com base nas formas geométricas planas – os rectângulos, os círculos e a cruz – sem qualquer preocupação de representação) e do Construtivismo.
Kandinsky soube, no entanto, manter a teoria nos seus justos limites, sem cair nunca numa pintura que fosse a mecânica execução de uma fórmula.

Bibliografia

AA.VV – Verbo Enciclopédia Luso – Brasileira de Cultura; Editorial Verbo; Lisboa; SD
Couto, Célia Pinto; Rosas, Maria Antónia Monterroso – Tempo da História – História A, 1ª Parte, 12ºAno; Porto Editora; Porto; 2005

Hajo,Dϋchting – Wassily Kandinsky –A Revolução da Pintura; Taschen Público; Alemanha; 2004

www.artchive.com/artchive/k/kandinsky.html

www.artchive.com/artchive/k/kandinsky.html#imagens

www.guggenheim.org/site/artist_bio_71.html

www.guggenheim.org/site/artist_work_md_71_7.html

www.glyphs.com/art/kandinsky

www.historiadaarte.com.br/abstracionismo.html

www.kandinsky.com.br/principal.htm

www.pintoresfamosos.com.br/?pg=kandinsky





quarta-feira, novembro 09, 2005

Wassily Kandinsky

O Abstraccionismo sensível de Kandinsky
Improvisação 26, 1912
Óleo sobre tela
107,0x97,0
Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munich


«Uma obra de arte é constítuida por dois elementos: o interior e o exterior. O interior é a emoção na alma do artista; essa emoção tem a capacidade de provocar uma emoção semelhante no observador(...)»
«As duas emoções serão semelhantes e equivalentes na medida em que a obra de arte(elemento exterior) é bem-sucedida . Nesse aspecto a pintura não é diferente ba música: ambas constituem uma comunicação.(...)»
Kandinsky, Do Espiritual na Arte, 1912