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quarta-feira, novembro 23, 2005

A Obra de Wassily Kandinsky

Figura 1
Igreja em Murnau, 1910
Óleo sobre cartão
64,7x50,2cm
Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique

Figura 2
Interior (A minha Sala de Jantar), 1909
Óleo sobre cartão
50x65cm
Städtische Galerie im Lenbachhaus, Munique

Figura 3
Primeira Aguarela abtracta,1910
lápis, aguarela e tinta-da-china sobre o papel
49,6x64,8cm
Museu Nacional de Arte Moderna
Centro George Pompidou, Paris

Figura 4
Amarelo-vermelho-azul, 1925
Óleo sobre tela
128x201,5 Museu Nacional de Arte Moderna
Centro George Pompidou, Paris

Kandinsky foi o primeiro pintor que prescindiu da representação de objectos e temas da natureza de forma programática. Segundo este, “A renuncia à figuração é um meio necessário para chegar a uma pintura pura”.
A obra deste distancia-se tanto da imitação como da decoração. A distribuição da cor no quadro é conduzida por princípios de harmonia e contraste, como na música, de modo que cada elemento desperte uma oculta vibração no observador.
Entre 1906 e 1908 viaja pela Europa e expõe nos Salões de Outono e dos Independentes em Paris, onde conhece o Fauvismo e o Cubismo.
A influência da cor fauve surge nos quadros que pinta em Murnau, entre 1908 e 1909 (figura 1). Neste ano funda a Nova Associação de Artistas de Munique (NKVM), ao mesmo tempo que se constroem os alicerces para o surgimento da abstracção: interesse pela teosofia e pelas ciências ocultas. Conhece Arnold Schonberg*, criador de música dodecafónica, que o ajuda nas suas ideias sobre a ligação entre a música e a pintura.
Em 1909, também pinta um quadro chamado Interior (a minha sala de jantar) que se insere nas raras obras, onde o artista representa o seu ambiente doméstico, pois para este, as limitações do espaço e a diversidade dos objectos negavam-lhe a liberdade que só encontrava na natureza. Mas por outro lado, Kandinsky era muito reservado no que tocava a sua vida privada, não gostando de expô-la ao público (figura 2).
Um ano mais tarde, em 1910 pinta a primeira aguarela abstracta, composta apenas por manchas coloridas sem qualquer objecto identificável (Figura 3).
Entre 1910 e 1920 a sua pintura caracterizou-se por um romantismo formal de linhas violentas e desordenadas, animadas por grande vivacidade da cor.
Na Composição II de 1910, quadro ainda figurativo (que desapareceu durante a II Guerra Mundial), podemos verificar um redemoinho de formas coloridas ao estilo fauve que comprovam as influências de Kandinsky. Esta deu origem a críticas fervorosas.
À partir dessa altura, Kandinsky começou a dividir os seus quadros em três grupos:”Impressões” – com referência a um modelo naturalista; “Improvisações” – que pretendiam reflectir emoções espontâneas e “Composições” – o grau mais complicado e elevado, alcançado após longos trabalhos preparatórios.
Nos seus quadros, este faz alusão à música, ao dar os títulos de “Improvisação” e “Composição”, pois era através da analogia à música, que este via as cores e as formas “vibrarem” e “ressoarem”.
Nos quatro anos seguintes, mantém o dinamismo anterior e formas mais rigorosas começam a surgir na sua obra.
Kandinsky ensaia o seu caminho definitivo para a abstracção e escreve “Do Espiritual na Arte”, publicado em 1911 onde se podem verificar as suas famosas óperas de cor, que nunca foram representadas em vida do artista.
Nesse ano abandona a NKVM e integra o movimento/grupo Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), que para nós ficou mais conhecido pela sua produção expressionista. Aí partilhavam exposições e a edição de um almanaque.
Em 1914, regressa à Rússia, onde a Revolução de 1917 promove uma das vanguardas artísticas mais activas e singulares do século XX. Este ocupa cargos importantes na administração artística e cultural do novo Estado Soviético, cria na Rússia museus e programas de ensino artístico.
Quatro anos depois volta à Alemanha e faz parte de um claustro da Bauhaus (esta passou por várias cidades: primeiro em Weimar e depois em Dessau e Berlim), onde dirige o Atelier de Pintura Decorativa e o curso de iniciação de 1922 a 1933. Nesta altura junta-se com mais três pintores e funda o Die Blaue Vier** (Os Quatro Azuis) e a sua obra disciplina-se: à cor junta-se a geometria e a interacção das formas (figura4).
Em 1926 publica um novo livro “Ponto e Linha sobre o Plano”, onde as equivalências musicais e emocionais da cor continuam a estar presentes na pintura, mas agora combinadas com a interacção das formas.
Com a ascensão nazi ao poder, as suas obras foram consideradas “arte degenerada” e muitas delas foram confiscadas pelos nazis. Dessas obras, catorze foram postas em exposição pelos nazis, com o objectivo de denegrir a arte moderna, esta exposição teve a presença de mais de dois milhões de visitantes. Com esta situação, Kandinsky viu-se obrigado a abandonar a Alemanha partindo para o exílio em Neully-sur-Seine, perto de Paris, onde dominavam os pintores cubistas e surrealistas e onde ninguém compreendia as suas abstracções. Apesar disso, continuou a pintar.
É nas últimas pinturas que Kandinsky melhor justifica a frase: “A arte moderna só pode nascer onde os sinais se tornam símbolos”, pois a sua linguagem simbólica não aceita mais a separação entre a “sensação” e o símbolo que a exprime. A unidade é atingida e é dessa suprema sabedoria que o seu génio avulta na arte do século XX.


*Arnold SchÖnberg, nasceu em Viena a 13 de Setembro de 1874.Desde 1892 dedicou-se ao estudo da música, vai para Berlim onde as suas composições são consideradas um escândalo. Este é considerado o inventor de um novo sistema musical, o dodecafonismo que rompeu com o sistema musical tradicional.

**Die Blaue Vier (Os Quatro Azuis), grupo artístico fundado, na altura da Bauhaus por Kandinsky, Klee, Feininger e Jawlensky.

1 Comments:

Blogger any said...

Ótimo.
Parabéns !!!
Espero que muitas pessoas pensem o mesmo que eu penso.
Parabéns novamente pelas obras.

7:56 da tarde  

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